terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

APÓS UM ANO FORA DAS PISCINAS, CLODOALDO VOLTA A TREINAR

Carnaval é sinônimo de folia. Essa frase valeu para milhões de pessoas que se esbaldaram em blocos e trios elétricos pelo país, mas não para um atleta com um passado recente brilhante: Clodoaldo Silva. Durante a festividade, o nadador paraolímpico treinou nove horas por dia na Associação Niteroiense de Deficientes Físicos (Andef), no estado do Rio de Janeiro.

Ele ficou mais de um ano sem competir por causa de problemas particulares. A fase ruim começou em setembro de 2008, quando recebeu um duro golpe dias antes do início dos Jogos Paraolímpicos de Pequim. O Comitê Paraolímpico Internacional o reclassificou. Dessa forma, foi obrigado a sair da classe S4 e teve de competir na S5, de ritmo muito mais forte e com atletas com menor comprometimento físico.

Os resultados não foram tão bons quanto os da Paraolimpíada de Atenas, em 2004. 'Clodo' conquistou apenas duas medalhas, uma de prata e uma de bronze, em provas de revezamento. Na Grécia, levou seis de ouro e uma de prata. Porém, o nadador espera voltar a ser o 'Tubarão das Piscinas', brilhando no esporte para pessoas com deficiência.


"Estou treinando forte. Quero ter bons resultados em 2010. Para isso, preciso me esforçar ao máximo. O Carnaval foi de muito trabalho. Sacrifiquei a folia, mas isso tudo valerá a pena no futuro", disse Clodoaldo.

Nos próximos dias, Clodoaldo Silva continuará as atividades físicas na Andef. A competição que pode marcar a volta do Tubarão das Piscinas deve ser a etapa norte-nordeste do Circuito Brasil Paraolímpico de Atletismo, Halterofilismo e Natação, em Belém, no Pará, entre os dias 12 e 14 de março. Ele nasceu em Natal, no Rio Grande do Norte, e está com 31 anos. O atleta conquistou 13 medalhas em três edições dos Jogos Olímpicos. Sua primeira Paraolimpíada foi a de Sydney, Austrália, em 2000. Na oportunidade, ganhou quatro medalhas, três de prata e uma de bronze.

A Andef é uma ONG que tem como objetivo apoiar o esporte para pessoas com deficiência física, visual ou intelectual. O Centro de Treinamento da associação é referência no país.

Para entender a classificação na natação paraolímpica:

O atleta é submetido à equipe de classificação, que fará testes de força muscular, mobilidade nas articulações e testes motores (realizados dentro da água). Vale a regra de que quanto maior a deficiência, menor o número da classe. As classes sempre começam com a letra S (swimming) e o atleta pode ter classificações diferentes para o nado peito (SB) e o medley (SM).

S1 a S10 / SB1 a SB9 / SM1 a SM10 – nadadores com limitações físicas.

S11, SB11, SM11 S12, SB12, SM12 S13, SB13, SM13 – nadadores com deficiência visual ou cegueira total (a classificação neste caso é a mesma do judô e futebol de cinco).

S14, SB14, SM14 – nadadores com deficiência intelectual.