quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

A IMORTAL MÍSTICA DA CAMISA 7

Por José Antonio Gerheim (Fonte: www.botafogonocoracao.com.br)

A mais bela e mágica história da relação do número de uma camisa com seu personagem começou a ser escrita em 1953 num jogo do Botafogo com o Bonsucesso pelo Campeonato Carioca no lendário estádio de General Severiano. Seu personagem atendia pelo nome de Garrincha, o garoto das pernas tortas, do drible avassalador pelo lado direito do campo, dos gols impossíveis, dos cruzamentos que deixavam os companheiros de ataque na boca do gol.



Daquele jogo em diante, o futebol carioca, o Maracanã, nos dias de clássico entre o Botafogo e seus maiores rivais, ganharia um personagem que iria tirá-lo da lembrança amarga da derrota da final da Copa do Mundo de 1950, frente ao Uruguai, e transformá-lo no templo da alegria, da paixão, da festa das torcidas embandeiradas, dos hinos cantados pelas multidões.



Sim, a virada que fez do Maracanã o templo sagrado do futebol mundial, começou pela arte e a genialidade imensurável do camisa sete do Glorioso, Garrincha, no dia 7 de setembro daquele mesmo ano de 53 quando ele levou o time dirigido por Gentil Cardoso a aplicar um acachapante 3 a 0 no Flamengo, que era o melhor time carioca e favorito ao título.



Eu tive o privilégio de ver Mané Garrincha pela primeira vez no dia 22 de dezembro de 1957. Ele regeu o maior baile dos 59 anos do Maracanã, numa decisão carioca, Botafogo seis, Fluminense, dois. O jogo em que seu companheiro de ataque, Paulinho Valentim, marcou cinco gols, um de bicicleta. O jogo que fez o Rio cantar e sambar o feito de Mané, vestido de preto e branco, o jogo que era o prenúncio do que seria o ano seguinte, quando finalmente na Suécia o Brasil conquistaria seu primeiro título, dos cinco que tem até hoje. Quando o mundo também descobriu a arte inimitável do camisa sete do Botafogo.



Hoje, dia 20, dia de São Sebastião, padroeiro do Rio de Janeiro, lembramos os 26 anos de sua partida. Não com choro ou lamento, mas recordando sua alegria de driblar, de jogar, de provocar o êxtase da alegria nas multidões. Principalmente nos corações alvinegros, que ao olhar para o número sete, que ele imortalizou, também se lembram com orgulho de outros como Jairzinho, Rogério, Zequinha, Mauricio, Túlio. E cantam como eu, mesmo que em silêncio, Botafogo, Botafogo, tu és o glorioso, não podes perder, perder para ninguém.

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