terça-feira, 30 de dezembro de 2008

ENTREVISTA COM UM CAMPEÃO


Danilo Binda Glasser. Dez anos de seleção brasileira de natação paraolímpica. Duas medalhas de bronze em dois Jogos (Sydney-2000 e Atenas-2004). Dois recordes mundiais nos 50m livre S10 e um nos 100m livre da mesma classe Comentarista do SporTV durante a Paraolimpíada de Pequim. Criador do primeiro site sobre a natação para pessoas com deficiência (www.paradesporto.com.br). Esse é o resumo do currículo invejável de um campeão do esporte adaptado. Essa é apenas a primeira parte de uma entrevista maravilhosa.


Quando você começou na cobertura paraolímpica?

Começamos em maio de 2001, eu, Fabiano Machado e Moisés Batista.


Por que escolheu cobrir o desporto para pessoas com deficiência?

Não pelo fato de sermos atletas paraolímpicos, mas sim pela pobreza que era esse segmento na época. Quando íamos viajar nem mesmo nossos familiares tinham informações dos nossos resultados, salvo quando telefonávamos.


Você acredita que as modalidades adaptadas são importantes para a
divulgação do tema da acessibilidade?

Acredito fielmente. Em qualquer segmento, o espelho é importante e sabemos que no esporte, espelhos, ídolos são fundamentais, e o esporte paraolímpico faz isso. Um exemplo fantástico é o que fez a China por conta das Paraolimpíadas. Não só concedeu pensão vitalícia a todo medalhista de ouro como lutou bravamente para adaptar toda a cidade em todos os setores possíveis. Aqui no Brasil a coisa também vem mudando, claro, a passos de tartaruga, mas só o fato de estar mudando já é muito para nosso país.


O país aprendeu a respeitar as pessoas com deficiência? O que falta?

O país aprendeu não seria o termo correto, pois não é num todo que isso vem acontecendo. Porém, a mudança existe e poucos já estão aprendendo. Como costumo falar, devido à maravilhosa convivência que tive com o Vital (Severino Neto), presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB), estamos num processo de evolução. Assim como existia a escravidão, não tínhamos o direito ao voto e tudo mudou, acredito que nosso movimento também vem mudando. Hoje alguns atletas já são ídolos, vistos como heróis nacionais e isso é resultado desse respeito.




Você já foi a quantos Jogos Paraolímpicos? Qual a diferença que você
notou na cobertura?

Eu disputei Sydney 2000 e Atenas 2004, e a diferença é gritante. Em Sydney 2000 minha família ficou sabendo da minha primeira medalha porque telefonei para falar. Em Pequim foi tudo mostrado ao vivo. Muitas vezes os atletas falaram real-time com seus parentes, coisa que para nós em 2000 era impossível. Falar ao vivo com a medalha no peito com meu filho? Piada, né...
Meu sonho é que em 2012 mude ainda mais. Que toda a imprensa esteja in loco em Londres cobrindo todas as modalidades, com muito mais canais transmitindo ao vivo. Hoje alguma parte da imprensa fala do esporte paraolimpico por prazer, por vontade própria, e nao por pressão, por terem sidos pagos para falar.


Pessoas com deficiência merecem oportunidades no mercado de trabalho?
Claro que sim, óbvio. Já quanto a se destacar, todo deficiente se destaca em qualquer que seja sua área de atuação, sabe por que? Pois tiram de letra qualquer adversidade, qualquer barreira ou tarefa a que se defrontar. Isso se você pesquisar numa agência de correios, numa empresa aérea e quaisquer outras que empregam as pessoas com deficiência. Isso é fato, o resultado é certo.

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