terça-feira, 2 de setembro de 2008

UM CAMPEÃO MERECE RESPEITO!

É angustiante notar o abalo emocional do supercampeão Clodoaldo Silva (S4). Ele está sendo vítima de um protesto infundado. O Comitê Paraolímpico Internacional deveria rever sua decisão de aceitá-lo. Então, a delegação brasileira deve denunciar, por exemplo, as seleções de Futebol de Sete da Rússia e da Ucrânia (casos gritantes de erro de classificação). Seus jogadores não aparentam muitas seqüelas (comprometimentos físicos) de paralisia cerebral. Parece que ucranianos e russos são todos da classe menos comprometida e a regra deve ser cumprida: apenas dois atletas com menor grau de deficiência (FT-8/C8) devem atuar entre os titulares. É apenas um exemplo de vários. Podemos citar ainda algumas seleções de Futebol de Cinco que possuem atletas de linha suspeitos. Estes enxergariam mesmo.

A classificação funcional sempre foi polêmica, mas alguns casos de tentativa de reclassificação beiram o absurdo. Nosso grande atleta da S10 (menor comprometimento físico na natação) Andre Brasil ficou sem competir por sete meses por causa de erros grosseiros de reavaliação médica.

DIA D - Clodoaldo Silva solicitou a mudança de data da reavaliação funcional para o dia 4 de setembro, às 10h (horário de Pequim). Essa é a última chance do brasileiro de disputar a Paraolimpíada, já que o período oficial para a realização dos testes se encerram nessa quinta-feira.

Chega a ser sufocante observar o semblante de tristeza do nadador que conquistou seis medalhas de ouro e uma prata.

“As pessoas devem estar se perguntando em casa o motivo para o Clodoaldo Silva não pretender fazer a avaliação. Será que é porque ele vai subir de classe, não vai mais ganhar medalha de ouro? Não é nada disso. Eu me recuso a fazer porque eu já fiz quatro avaliações e não preciso mais de nenhuma para nadar no esporte paraolímpico”, disse o nadador.

Clodoaldo afirmou que vai se apresentar ao IPC no dia 4 de setembro, mas ainda não sabe se vai se submeter aos testes.

“Adiei a reavaliação por causa dos amigos. Os atletas são as únicas pessoas que me fazem ficar aqui, caso contrário, já teria jogado tudo para o alto. Não é por causa das medalhas, mas por causa do exemplo que sou para outros atletas que estão aqui. Caso tenha de bater a cabeça na borda para conseguir um bom resultado para o Brasil, vou fazer”, disse o atleta, emocionado.

Entenda o caso - No final de junho, Clodoaldo foi notificado através do CPB que o IPC recebeu e aceitou um protesto para que fosse reavaliado com relação a sua classificação funcional. O país que fez o protesto não foi divulgado pelo IPC.

O IPC fez um comunicado oficial ao Comitê Paraolímpico Brasileiro, que repassou a informação ao atleta. Clodoaldo Silva tinha, segundo o ofício enviado ao Brasil, duas opções para passar pela junta de reavaliação: uma competição aberta no Canadá, a Can-Am Disability Championship, ou o período oficial de classificações funcionais em Pequim, de 1º a 4 de setembro.


Histórico - Em dezembro de 2006, em Durban, na África do Sul, Clodoaldo teve sua classe funcional protestada pela equipe espanhola durante o Mundial de Natação Paraolímpica e passou da categoria S4 para a S5. O Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB) entrou com um recurso, alegando erro de procedimento. O IPC anulou a decisão e Clodoaldo voltou para a categoria S4 em abril de 2007.

Após o Mundial na África, a única competição que Clodoaldo disputou foi o Parapan do Rio de Janeiro em 2007, já na categoria S4, conquistando sete medalhas de ouro.

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