quarta-feira, 10 de setembro de 2008

O NOSSO GRANDE SILVA!



Foto do CPB/Divulgação

Texto retirado da coluna Espírito Paraolímpico, do jornal Lance

Paulo Vitor Ferreira

Antônio Tenório teve de enfrentar grandes adversários até a conquista do quarto título paraolímpico consecutivo (96-00-04-08) ao vencer Karin Zadarov, do Azerbaijão, na decisão da categoria até 100 kg. O primeiro deles foi na final da seletiva em São Paulo, realizada em 2008. O tetracampeão enfrentou Elmo Mamede e classificou-se para os Jogos de Pequim. Aliás, os dois treinam juntos. Mamede não foi para a China por detalhes, pois existia apenas uma vaga e porque competir com um monstro sagrado complicou a missão. Tenório chegou a levar um yuko de Mamede, mas conseguiu um ippon no final da luta.

Mamede tem 47 anos, foi atleta de boxe e começou no judô em 2001. Sem visão periférica no olho esquerdo e deslocamento de retina no direito, foi quatro vezes campeão brasileiro, conquistou medalhas em campeonatos para atletas sem deficiência e estava, em 2005, na equipe vice-campeã mundial para judocas com deficiência visual, em São Paulo.

- Já treinei muitas vezes com Tenório no Rio de Janeiro e em São Paulo. Ele é um mestre, um instrutor muito bom, - disse o atleta.

Para tentar mostrar de que maneira Tenório derruba seus adversários no tatame, o judoca explicou como é o estilo do tetracampeão paraolímpico.

- Ele tem muita noção de espaço e tempo. Prepara o golpe e espera você entrar na posição que ele deseja. A partir daí, pode ter certeza de que vai derrubá-lo. Ele é daqueles lutadores com um estilo quase
imbatível - afirmou.

Praticante de tiro, Mamede até brincou em certos momentos da entrevista.

- Agora, posso explicar porque não fui para Pequim. Perdi para o melhor do mundo. E Tenório merece, pois é uma pessoa tranqüila e inteligente.

Antônio Tenório é um exemplo para 24,5 milhões de brasileiros com deficiência.

Nenhum comentário: