sábado, 13 de setembro de 2008

O doping da cordinha em Pequim

Jornal Lance - Paulo Vitor

O atleta da classe T13 (baixa visão) Luciano Alves, de 23 anos, deu uma entrevista polêmica à coluna 'Espírito Paraolímpico'. Com a experiência de quem já foi campeão brasileiro de salto em distância e recordista do salto triplo, além de ser o atual segundo colocado do ranking nacional no pentatlo moderno, ele disse que a arbitragem no Ninho do Pássaro está sendo conivente com as violações à regra.


Segundo Luciano, que tem catarata congênita, o chamado 'doping da cordinha' vem acontecendo de maneira exagerada em Pequim. Para ele, por exemplo, a chinesa Chunmiao Wu superou Terezinha Guilhermina e Ádria Santos nos 100m T11 (cegueira total) por causa de uma 'mãozinha' de seu guia.

Luciano chegou a ironizar a cerimônia de entrega das medalhas dessa prova.

- A chinesa entregou a medalha ao guia. Parecia até que foi uma maneira de homenagear quem realmente conquistou o ouro. Os árbitros na China parecem não enxergar esse tipo de violação da regra – disse Luciano.

Ele chegou a comparar a arbitragem dos Jogos com a do Brasil.

- Em outras paraolimpíadas, a fiscalização era maior. Tudo isso estaria acontecendo para beneficiar a China? No Brasil, estamos mais atentos a esses tipos de infração – verbalizou.


Luciano comentou sobre as obrigações do guia: orientar e ficar ao lado ou atrás do atleta.

Outro fato o incomodou. Alguns guias estariam sem condições físicas para o acompanhamento dos atletas durante as provas. Ele lembrou o caso do angolano Jose Armando Sayovo, medalha de prata nos 100m T 11.

- O guia o atrapalhou. Isso ficou nítido. A Angola não tem tradição no atletismo olímpico. Por isso, Sayovo não encontrou alguém a sua altura para acompanhá-lo na prova – afirmou Luciano.

Pelo jeito, existe algo além do céu e da terra no desporto paraolímpico.

Foto de Pedro Rezende/CPB

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