terça-feira, 30 de setembro de 2008

LULA RECEBE MEDALHISTAS

O presidente Luís Inácio Lula da Silva receberá nesta quarta-feira, às 11h30, no Palácio do Planalto, os medalhistas paraolímpicos. Os atletas fizeram em Pequim a melhor campanha brasileira na história dos Jogos. O país terminou em 9º lugar no quadro de medalhas, com 16 de ouro, 14 de prata e 17 de bronze.
Presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro, Vital Severino Neto está gratificado pela homenagem.

“Esse encontro é muito bom para o esporte paraolímpico expressar o resultado de todo o trabalho desenvolvido nesses anos. Nesse momento os atletas sentem orgulho de serem recebidos pela autoridade máxima do país”, explica.

Entre os homenageados está o nadador Daniel Dias, que conquistou nove medalhas nos Jogos. “Estou feliz de saber que o presidente nos valoriza e que a partir de agora a sociedade pode se orgulhar dos atletas. Para nós será muito bom. Espero que tenhamos cada vez mais reconhecimento”, afirmou.
Lucas Prado estará no evento. O velocista cego conquistou três medalhas de ouro e dois recordes mundiais na competição. Os atletas do remo adaptável, bocha e tênis de mesa que trouxeram medalhas inéditas para o país também estarão presentes.
Esta não é a primeira vez que os atletas paraolímpicos são recebidos pelo Presidente da República. Em 2004, após a conquista de 14 medalhas de ouro, 12 de prata e 7 de bronze em Atenas, os atletas foram convidados para participar de um encontro no Palácio do Planalto.

Relação dos atletas que estarão no evento

Ádria Rocha Santos - Atletismo

Adriano Gomes de Lima - Natação
Alan Fonteles Cardoso de Oliveira - Atletismo
André Brasil Esteves - Natação
Andreonni Fabrizius Farias do Rego - Futebol de 5
Antônio Tenório da Silva - Judô
Claudemir do Nascimento Santos - Atletismo
Clodoaldo Francisco da Silva - Natação
Damião Robson de Souza Ramos - Futebol de 5
Daniel de Faria Dias - Natação
Daniele Bernardes da Silva - Judô
Deanne Silva de Almeida - Judô
Dirceu José Pinto - Bocha
Edênia Nogueira Garcia - Natação
Eliseu dos Santos - Bocha
Elton da Conceição Santana - Remo
Fabiana Harumi Sugimori - Natação
Francisco de Assis Avelino - Natação
Ivanildo Alves de Vasconcelos - Natação
Jefferson Gonçalves - Futebol de 5
Jerusa Geber dos Santos - Atletismo
João Batista da Silva - Futebol de 5
Joon Sok Seo - Natação
Jorge Luiz Silva de Souza - Atletismo – atleta-guia
Josiane Dias de Lima - Remo
Justino Barbosa dos Santos - Atletismo – atleta-guia
Karla Ferreira Cardoso - Judô
Lucas Prado - Atletismo
Luis Antônio Correa da Silva - Natação
Luiz Algacir Vergílio da Silva - Tênis de Mesa
Luiz Henrique Barbosa da Silva - Atletismo – atleta-guia
Luiz Rafael Krub - Atletismo – atleta-guia
Marcos Fernandes Alves - Hipismo
Marcos José Alves Felipe - Futebol de 5
Michelle Aparecida Ferreira - Judô
Mizael Conrado de Oliveira - Futebol de 5
Odair Ferreira dos Santos - Atletismo
Phelipe Andrews Melo Rodrigues - Natação
Ricardo Steinmetz Alves - Futebol de 5
Sandro Laina Soares - Futebol de 5
Severino Gabriel da Silva - Futebol de 5
Shirlene Santos Coelho - Atletismo
Terezinha Aparecida Guilhermina - Atletismo
Tito Alves de Sena - Atletismo

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

A determinação move montanhas

A Adeacamp perdeu os dois jogos da seletiva de rugby em cadeira de rodas, realizada no Rio, mas mostrou ter uma equipe guerreira. O time saiu de Campinas, interior de São Paulo, às 0h de sábado e chegou às 8h. Exaustos da cansativa viagem de kombi, seus atletas ainda passaram pela avaliação funcional durante toda a manhã. Mas valeu a pena. A Adeacamp mostrou espírito esportivo e ainda revelou alguns bons valores para a modalidade, como o veloz Alexandre Taniguchi, classe 2.5 (uma das mais baixas).

Os treinadores Luís Gustavo e Luís Felipe de Campos falaram sobre a importância desse trabalho. “O esporte é ótimo para pessoas com deficiência, pois trabalha a força dos braços e essa atividade em tetraplégicos é fundamental. Além disso, a freqüência respiratória tem uma melhoria significativa”, disse Luís Gustavo, estudante da Unicamp.

Já Luís Felipe ressaltou a criação de um clube da modalidade em uma das principais universidades do país. “Somos voluntários e esse bom trabalho começou há apenas dois meses graças aos esforços do Professor da Unicamp José Irineu Gorla”, afirmou.

Alexandre Taniguchi ainda lembrou que o Professor Gorla introduziu o handebol para cadeirantes na Unicamp.

domingo, 28 de setembro de 2008

Urece não enxerga obstáculos

No dia 21, a Urece conquistou a segunda etapa do Campeonato Estadual de Futebol de Cinco (para atletas cegos), realizado na cidade de Volta Redonda. Os Tigres de Bengala, como são conhecidos os jogadores da Urece, também conquistaram o troféu na primeira etapa, em julho, no Rio de Janeiro. Dessa forma, a Urece está muito perto de se sagrar a campeã estadual de 2008. Basta alcançar o quarto lugar na última etapa, a ser realizada em Campos, no início de novembro. Nesse torneio, a Urece contou com a ilustre participação da professora alemã de futebol para Cegos, Julia Hallanzy, chamadora da equipe.

Homenagem mais do que merecida

O radialista Sérgio Moraes recebeu uma justa e atrasada homenagem da diretoria do América. Um dos vestiários do Estádio Édson Passos recebeu o seu nome. O filho do grande narrador Sérgio Moraes, o repórter da Rádio Tupi Sérgio Américo, o presidente do clube, Reginaldo Matias, os eternos craques americanos Edu Coimbra e Alex, o apresentador do EsporTVisão (TV Brasil), Sérgio du Bocage, o presidente da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro, Rubens Lopes, o jornalista Alex Escobar (SporTV) e os ilustres torcedores Tia Ruth e Jorge Sangue estavam presentes. O placar eletrônico do estádio também foi inaugurado.

Seletiva de rugby em cadeira de rodas

A ONG Gerreiros da Inclusão conquistou neste sábado o título da seletiva de rugby para cadeirantes, realizada na quadra do Colégio Antônio Prado Júnior, na Tijuca, Zona Norte do Rio. O técnico André Veloso, da Guerreiros, foi escolhido para comandar a seleção brasileira no Torneio da Colômbia.

A Guerreiros venceu o Rio Quad Rugby Club por 24 a 18 e a Adecamp por 19 a 13. No outro jogo, o Rio Quad triunfou sobre a Adecamp por 31 a 19.

Os jogadores de Fut-7 Wânderson e Mito, a fisioterapeuta da seleção de Futebol para paralisados cerebrais Márcia Fernandes, a ex-assessora de Comunicação do Comitê Paraolímpico Brasileiro Luciana Pereira e a nutricionista Flávia Figueiredo, única especializada em desporto adaptado no país, estavam presentes.

sábado, 27 de setembro de 2008

A FESTA NÃO ACABOU!




No dia 22 de setembro, a equipe do canal SporTV comemorou numa churrascaria da Zona Sul do Rio o sucesso da cobertura dos Jogos Paraolímpicos.

Foto de Guito Moreto/ Divulgação SporTV

Ex-goleiro do Flu em campanha pela acessibilidade

Fabrício Costa

Fonte: Globoesporte.com

Querido no Fluminense pela conquista do tricampeonato carioca (83/84/85) e do Brasileiro (84), o ex-goleiro Paulo Vitor esteve nesta quinta-feira nas Laranjeiras para testar sua popularidade nos dias de hoje. Não só foi motivo de boas lembranças por antigos funcionários do clube, como percebeu que da década de 80 para cá poderia levantar outras bandeira que não fosse a tricolor. E foi exatamente isso que ele fez ao aderir à campanha da Acessibilidade.

- Sou embaixador deste projeto que pretende diminuir a discriminação dos deficientes físicos. Acho que os clubes são os lugares certos para iniciarmos essa inclusão social. Fluminense, Santos, Botafogo, Grêmio, Corinthians, São Paulo, Inter e Cruzeiro já aderiram à causa - conta o comentarista do SporTV, que atualmente reside em Goiás.

Aos 51 anos, Paulo Vitor tem como missão divulgar o principal projeto beneficente do governo federal. Antes que alguém ache que o ex-jogador está pedindo verba aos clubes, ele se defende.

- Não peço dinheiro a ninguém. O que desejo é que os jogadores entrem em campo com a camisa da Acessibilidade para divulgar essa campanha. Já consegui a adesão de grandes ídolos também, como o Zico, Jairzinho e Roberto Dinamite - explica.

Paulo Vitor é sempre lembrado pela torcida do Fluminense como o goleiro que menos gols levou na história do clube - durante uma edição de Campeonato Brasileiro. Em 1985, ele sofreu 12 gols em 24 jogos, uma média de 0,52 por partida.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Passeata




Para celebrar o Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência, a ONG Espaço Novo Ser promoveu no domingo passado (21 de setembro), na orla de Copacabana, a passeata Superação Rio 2008. Os nadadores do Fluminense Felipe de Oliveira, de 30 anos, e Gustavo Aratanha (20) participaram da caminhada a convite da ONG.

Felipe e Gustavo estão no Projeto de Natação Adaptada do Fluminense, coordenado pelo professor Felipe Desterro.

Os atletas com Síndrome de Down não competem nos Jogos Paraolímpicos desde Barcelona-92. Confederações, associações e federações lutam pela volta dos desportistas com Down às paraolimpíadas.

FOTO DIVULGAÇÃO FFC

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Rugby

Neste sábado (dia 27), a partir das 15h, três equipes participam da seletiva de rugby em cadeira de rodas. Os atletas do Rio Quad, Guerreiros da Inclusão e Adecamp se enfrentam na quadra do Colégio Antônio Prado Júnior, na Tijuca.

Agenda de campeão

O grande campeão Andre Brasil, quatro medalhas de ouro e uma prata na modalidade natação (classe S10) em Pequim, está com a agenda cheia. Após participar dos programas Jornal Visual e Stadium, o atleta deve visitar a Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR), no Rio, na próxima semana.

sábado, 20 de setembro de 2008

Promessas para Londres-2012

O Brasil teve seu melhor desempenho em paraolimpíadas. Lucas Prado e Terezinha, grandes nomes do atletismo, foram fundamentais nessa vitoriosa trajetória em Pequim. Ele conquistou três ouros. Ela venceu nos 200m T11. A dupla brilhou em Pequim e poderá disputar, pelo menos, mais uma edição dos Jogos. Porém, o país possui outros desportistas para edições futuras dos Jogos? A resposta é sim.

A nova geração de velocistas com cegueira total ou baixa visão possui exemplos de vencedores. Um deles é Liwisgton da Silva Costa, de apenas 18 anos. Ele já foi campeão mundial de jovens em duas provas. Triunfou nos 75m (competição específica para atletas de 15 anos), em 2005, e repetiu o feito, no ano passado, nos 100m. Além disso, foi um dos destaques da Olimpíada da Língua Portuguesa, realizada esse ano no Rio de Janeiro.

Com um currículo invejável em tão pouco tempo, Liwisgton pode ser considerado uma promessa.

- Estou treinando muito para participar da Paraolimpíada de Londres - disse o campeão, suplente na delegação que brilhou na China.

Atleta da Urece (ONG para deficientes visuais), Liwisgton elogiou Lucas Prado. "Ele é um fenômeno."

O jovem valor do atletismo citou outros grandes nomes, como Priscila Evangelista, Juliano e Indayana (integrante da delegação em Pequim).

No atletismo, o Brasil brilhou. No entanto, no Futebol de Sete (para atletas com seqüelas de paralisia cerebral), apesar do trabalho sério de sua comissão técnica, a seleção não conquistou medalha. Mesmo assim, existe esperança. Mateus, de 17 anos, lidera uma geração com personalidade.

- Treino muito para vestir a camisa da seleção (ela já foi convocado uma vez) e ainda estudo – disse Mateus, que fará vestibular para Engenharia.

Desempenho fantástico

O Brasil parece ser mesmo uma potência do esporte paraolímpico. O país superou em número de medalhas de ouro Espanha (15 ouros), Alemanha n(14) e França (12). A Argentina conquistou seis medalhas (uma de prata e cinco de bronze).

No quadro de medalhas, o Brasil perdeu apenas para China, 211 medalhas no total, Grã-Bretanha (102, sendo 42 ouros), Estados Unidos (99), Ucrânia (74 no total e 24 douradas), Austrália (79 no total e 23 de ouro), África do Sul (30), Canadá (50 no total e 19 ouros) e Rússia (63, sendo 18 ouros).

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

O Brasil mostra a sua 'cara' em Pequim

JORNAL LANCE - PAULO VITOR FERREIRA

Os Jogos Paraolímpicos de Pequim deixaram saudade. A delegação brasileira conseguiu o seu maior desempenho na história. O país terminou a competição na nona colocação, com 47 medalhas no total, sendo 16 de ouro, 14 de prata e 17 de bronze. Em Atenas,os brasileiros conquistaram 33 medalhas, 14 de ouro, 12 de prata e sete de bronze.

O Futebol de Cinco (dedicado a atletas deficientes visuais) conquistou o bicampeonato paraolímpico e o Remo Adaptável foi medalha de bronze com a dupla Elton Santana/Josiene Lima, no skiff duplo misto (somente movimentos de braço e tronco). As duas modalidades foram fundamentais para o excelente desempenho do Brasil na Paraolimpíada de 2008.

Ânderson Dias, integrante da seleção de Fut-5 em Atenas-2004 e praticante de remo adaptável, comemorou o desempenho de todos em Pequim.

- A Seleção de Futebol de Cinco foi brilhante ao conquistar o segundo título na modalidade. A equipe tinha peças de reposição e grandes jogadores como Ricardinho, João, Mizael, Damião, Fábio (o goleiro titular) e Bill. Já nossos atletas do remo mostraram a sua força - disse Ânderson, que, apesar dos triunfos, fez um alerta.

- O Brasil foi bicampeão, mas o Fut-5 precisa de um investimento maior. A China apareceu há pouco tempo e já transformou-se em um adversário perigoso. No remo adaptável, nossa torcida é para que o país consiga alavancar a modalidade – afirmou Dias.

O atleta pediu apenas um pouco mais de atenção com esses esportes. De acordo com ele, a natação e o atletismo têm um espaço maior do que os outros.
- Temos grandes atletas nessas duas modalidades, que garantiram muitas medalhas para o país e merecem os parabéns. Porém, temos grandes nomes em outras modalidades – verbalizou Ânderson, que também pratica goalball e salto em distância.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Supercampeão da alegria!

JORNAL LANCE! - PAULO VITOR

Daniel Dias. Ao lado do judoca Antônio Tenório, do velocista Lucas Prado e dos nadadores Andre Brasil e Verônica Almeida, esse é o grande nome do Brasil nos Jogos Paraolímpicos de Pequim. Com má formação congênita nos braços e na perna direita, o grande campeão das classes S5, SB-4 (peito) e SM-5 (medley) mostrou sua competência no famoso Cubo D'água. Ele conquistou nove medalhas, sendo quatro de ouro, quatro de prata e uma de bronze. Daniel, de apenas 20 anos, é um recordista nas piscinas e na vida.

No Mundial de Natação, em 2006, conquistou a medalha de ouro nos 200m medley e 100m livre e a prata nos 50m borboleta e 50m costas. No revezamento 4x50m medley, também conseguiu o ouro, com recorde mundial.

O atleta foi o recordista de medalhas no Parapan do Rio-2007 ao conquistar oito ouros. Ele e a remadora Cláudia dos Santos (campeã mundial no skiff simples no ano passado) receberam o prêmio 'Brasil Olímpico', no Teatro Municipal, na tradicional Cinelândia, Centro do Rio. Daniel também foi indicado com muita justiça ao Oscar do Esporte na categoria atleta com deficiência. Não ganhou, mas ficou entre os cinco melhores do mundo.

Medalha de ouro em Atlanta-1996 nos 50m borboleta classe S7, José Afonso Medeiros, o Caco, rasgou elogios ao jovem talento brasileiro. "Ele merece tudo isso. Sua atitude perante os outros é linda. Daniel está sempre de bom humor, sorri muito. A alegria dele é contagiante", disse Caco.

José Afonso lembrou da importância do trabalho de Marcos Rojo, o técnico de Danizinho, como é chamado pelos amigos. "Marcos deveria fazer parte da comissão técnica. Ele e Daniel formam uma dupla imbatível", afirmou.

Daniel Dias é um exemplo para os arrogantes de plantão. Ele conquistou a China com medalhas, recordes e, principalmente, alegria.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Velozes, furiosos e escassos

JORNAL LANCE - PAULO VITOR

Medalha de bronze em Seul-1988 nos 100m rasos para velocistas em cadeira de rodas. Este é Iranílson Silva, o Tita, de 46 anos. Após participar de quatro Jogos Paraolímpicos, o ex-atleta, que tem seqüelas de poliomielite, resolveu trabalhar no ramo de acessórios tecnológicos. Tita analisou a falta de renovação entre os cadeirantes brasileiros. Na Paraolimpíada de Pequim, o Brasil tem como representante único dessa classe nas pistas Ariosvaldo Silva (T53).

Segundo Tita, ou Titã (para alguns amigos), o atletismo para cadeirantes é um esporte caro. Um equipamento de ponta custa de R$ 20 a R$ 25 mil.

- Um par de rodas custa de R$ 5mil a R$ 6 mil. As rodas de primeira categoria são feitas de fibra de carbono. Além disso, a maioria das cadeiras tem um material usado na construção de aviões: o titânio – explica Iranílson.

Desta forma, fica difícil um cadeirante competir. O custo é muito alto e, de acordo com Tita, a locomoção até o local de treinamento é dificultada pela falta de acessibilidade nas cidades brasileiras, inclusive nos grandes centros urbanos, e nos transportes. O campeão também apontou outro motivo para a falta de brasileiros nas pistas.

- Como falta dinheiro, os atletas preferem as competições de rua porque existem bons prêmios que ajudam na manutenção do equipamento e na continuação dos treinos. Todos estão deixando de lado as pistas – disse Tita, com uma tristeza indisfarçável na fala.

Em um esforço de preservar a história de um dos símbolos do desporto paraolímpico, o atletismo de cadeirantes, ele lembrou de grandes nomes do passado: Carlos Alberto, Sandra Perez e outros. Tita insistiu no tema da renovação.

- Precisamos de novos valores. O atletismo de cadeirantes sempre foi o carro-chefe dos Jogos Paraolímpicos – afirmou.

NOTÍCIAS PARAOLÍMPICAS NO CANAL SPORTV!




A foto acima é o registro de uma das vitórias do site NOTÍCIAS PARAOLÍMPICAS. O jornalista Paulo Vitor Ferreira (terceiro sentado da esquerda para a direita) aparece ao lado dos ex-atletas paraolímpicos Luiz Cláudio Pereira (arremesso de peso e lançamento de dardo e disco) e Robertão (basquete em cadeira de rodas). O apresentador do Momento Paraolímpico, Marcelo Barreto, e o comentarista Leonardo Mataruna estão em pé. MAIS UMA MEDALHA PARA UM JORNALISTA BATALHADOR!

domingo, 14 de setembro de 2008

NOTÍCIAS PARAOLÍMPICAS NA TV!

O jornalista Paulo Vitor Ferreira, do site Notícias Paraolímpicas, participou neste domingo do programa EsporTVisão pela segunda vez. Paulo Vitor comenta sobre os Jogos Paraolímpicos em boletins diários na TV Brasil, às 18h e 0h10m, e no Stadium. O repórter também foi um dos convidados do Momento Paraolímpico, no canal SporTV. Além disso, é colunista do Lance!

Andre Brasil: o atleta imprescindível




Jornal Lance - Paulo Vitor


Medalha de ouro e recordista mundial nos 100m borboleta nos Jogos de Pequim. Conquistas e outras marcas no Parapan do Rio-2007, no Aberto da Alemanha, onde recebeu ursinhos de pelúcia como prêmios, e no Eurowaves, em Chomutov, na República Tcheca. A carreira de André Brasil, nadador da classe S10, é brilhante. Esses resultados aconteceram graças a muita dedicação. Ele treinou sete horas por dia no Clube Pinheiros, em São Paulo, durante a preparação para a Paraolimpíada, e participou de competições com atletas sem deficiência. Mas as lágrimas também fizeram parte de sua trajetória.

Clodoaldo passou por um drama ao ser reclassificado para S5. André ficou receoso após ver o que aconteceu com o amigo. Ele deve ter lembrado de um fato triste em sua vida. Em 2005, durante os Jogos da Paz, realizados no Rio, os classificadores resolveram torná-lo inelegível, ou seja, não poderia disputar provas de natação paraolímpica. Com uma pequena seqüela de poliomielite na perna esquerda, Andre sofreu com a decisão do Comitê Paraolímpico Internacional.

Ele ganhou peso e deixou a barba crescer. Foram sete meses de angústia. A fisioterapeuta Ana Carolina Assumpção, namorada do atleta, contou sobre esses dias.

- Andre ficou abalado psicologicamente -, disse Ana Carolina.

No entanto, o Comitê Paraolímpico Brasileiro recorreu e, graças ao trabalho das classificadoras Adriana Diedrich e Jacqueline Pennafort, que estudaram o caso de Andre, o nadador voltou a competir na África do Sul, em 2006. Nunca mais parou.

Andre Brasil demonstrou, com a sua luta, que é possível vencer as batalhas diárias da vida. O atleta pode se encaixar perfeitamente como exemplo para a frase do poeta Mário Quintana: "Deficiente é aquele que não consegue mudar sua vida".

Foto Divulgação/CPB

Na foto, Andre Brasil e a revelação Phelipe Rodrigues (ouro e prata, respectivamente, nos 50m e 100m livre)

sábado, 13 de setembro de 2008

O doping da cordinha em Pequim

Jornal Lance - Paulo Vitor

O atleta da classe T13 (baixa visão) Luciano Alves, de 23 anos, deu uma entrevista polêmica à coluna 'Espírito Paraolímpico'. Com a experiência de quem já foi campeão brasileiro de salto em distância e recordista do salto triplo, além de ser o atual segundo colocado do ranking nacional no pentatlo moderno, ele disse que a arbitragem no Ninho do Pássaro está sendo conivente com as violações à regra.


Segundo Luciano, que tem catarata congênita, o chamado 'doping da cordinha' vem acontecendo de maneira exagerada em Pequim. Para ele, por exemplo, a chinesa Chunmiao Wu superou Terezinha Guilhermina e Ádria Santos nos 100m T11 (cegueira total) por causa de uma 'mãozinha' de seu guia.

Luciano chegou a ironizar a cerimônia de entrega das medalhas dessa prova.

- A chinesa entregou a medalha ao guia. Parecia até que foi uma maneira de homenagear quem realmente conquistou o ouro. Os árbitros na China parecem não enxergar esse tipo de violação da regra – disse Luciano.

Ele chegou a comparar a arbitragem dos Jogos com a do Brasil.

- Em outras paraolimpíadas, a fiscalização era maior. Tudo isso estaria acontecendo para beneficiar a China? No Brasil, estamos mais atentos a esses tipos de infração – verbalizou.


Luciano comentou sobre as obrigações do guia: orientar e ficar ao lado ou atrás do atleta.

Outro fato o incomodou. Alguns guias estariam sem condições físicas para o acompanhamento dos atletas durante as provas. Ele lembrou o caso do angolano Jose Armando Sayovo, medalha de prata nos 100m T 11.

- O guia o atrapalhou. Isso ficou nítido. A Angola não tem tradição no atletismo olímpico. Por isso, Sayovo não encontrou alguém a sua altura para acompanhá-lo na prova – afirmou Luciano.

Pelo jeito, existe algo além do céu e da terra no desporto paraolímpico.

Foto de Pedro Rezende/CPB

MULHERES DE OURO



Foto Divulgação/CPB

Terezinha Guilhermina conquistou o bronze nos 400m T12. Ela foi uma guerreira porque competiu com atletas com baixa visão. Terezinha tem cegueira total e é da classe T11. Corre acompanhada de um guia, o popular Chocolate. Já Verônica Almeida mostrou seu valor na S7 ao chegar em terceiro lugar nos 50m borboleta. As mulheres transformam a Paraolimpíada em um sonho de todas as cores. Citando Álvares de Azevedo, 'minha musa é a lembrança dos sonhos em que vivi'.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Lucas Prado brilha em Pequim

Lucas Prado consegue seu segundo ouro na Paraolimpíada nos 200m rasos T11 (cegueira total), com recorde mundial (22s48). Daniel Silva ficou em quarto lugar na final A.

BOCHA!!!


Foto do CPB/Divulgação

Jornal Lance

Paulo Vitor Ferreira

O Brasil é o país da bocha. Atletas da classe BC-4, Eliseu Santos e Dirceu Pinto conseguiram juntos três medalhas (duas na disputa individual e uma nas duplas) em Pequim. A dupla teve um desempenho fantástico numa modalidade com uma grande qualidade: a inclusão social de pessoas com deficiências severas (paralisia cerebral em grau elevado e outras).

Luiz Alberto de Castro é um dos praticantes desse esporte. Após mergulhar numa piscina e bater com a cabeça no fundo, Luiz fraturou três vértebras e ficou tetraplégico. Ele tornou-se dependente dos esforços de seu pai, também de nome Luiz Alberto. Mas sua vida começou a mudar quando estava em um tratamento no Hospital Sarah Kubitschek, em Belo Horizonte. Luiz conheceu o escritor Nardélio Fernandes.

- Ele me incentivou a praticar um esporte e a bocha parecia ser uma boa escolha. Na oportunidade, eu não fazia nada. Minha vida estava
limitada – disse.

Luiz Alberto procurou a Andef (Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos). Lá, ouviu os conselhos de seus dois mestres: os atletas Antônio Carlos e Marcelo Monteiro.



- Eles me mostraram que eu poderia ser independente – afirmou.

Em dezembro do ano passado, Luiz participou de um torneio na Andef, e foi convidado para jogar bocha pelo Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Em março de 2008, participou do Regional Leste como atleta da classe BC-4 (atletas sem paralisia cerebral) e foi vice-campeão, perdendo a decisão para o amigo Antônio Carlos. Porém, a medalha de prata foi uma recompensa.

- Pratico bocha e rugby em cadeira de rodas. Esses esportes são ferramentas importantes na minha qualidade de vida – disse Luiz Alberto, esperançoso de que outras pessoas com deficiência procurem a bocha e seus benefícios.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Modalidades paraolímpicas

Nem todos os esportes para pessoas com deficiência são paraolímpicos. Existem 20 modalidades nos Jogos Paraolímpicos de Verão, que estão sendo realizados em Pequim, na China, até o dia 17 deste mês. A lista é essa: ciclismo, futebol de sete (para atletas com seqüelas de paralisia cerebral), halterofilismo, tiro, vôlei sentado, rugby em cadeira de rodas, atletismo, hipismo, goalball, remo, natação, basquete de cadeirantes, tênis em cadeira de rodas, bocha, futebol de cinco (para deficientes visuais), judô, tênis de mesa, arco-e-flecha, esgrima em cadeira de rodas e vela.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

O NOSSO GRANDE SILVA!



Foto do CPB/Divulgação

Texto retirado da coluna Espírito Paraolímpico, do jornal Lance

Paulo Vitor Ferreira

Antônio Tenório teve de enfrentar grandes adversários até a conquista do quarto título paraolímpico consecutivo (96-00-04-08) ao vencer Karin Zadarov, do Azerbaijão, na decisão da categoria até 100 kg. O primeiro deles foi na final da seletiva em São Paulo, realizada em 2008. O tetracampeão enfrentou Elmo Mamede e classificou-se para os Jogos de Pequim. Aliás, os dois treinam juntos. Mamede não foi para a China por detalhes, pois existia apenas uma vaga e porque competir com um monstro sagrado complicou a missão. Tenório chegou a levar um yuko de Mamede, mas conseguiu um ippon no final da luta.

Mamede tem 47 anos, foi atleta de boxe e começou no judô em 2001. Sem visão periférica no olho esquerdo e deslocamento de retina no direito, foi quatro vezes campeão brasileiro, conquistou medalhas em campeonatos para atletas sem deficiência e estava, em 2005, na equipe vice-campeã mundial para judocas com deficiência visual, em São Paulo.

- Já treinei muitas vezes com Tenório no Rio de Janeiro e em São Paulo. Ele é um mestre, um instrutor muito bom, - disse o atleta.

Para tentar mostrar de que maneira Tenório derruba seus adversários no tatame, o judoca explicou como é o estilo do tetracampeão paraolímpico.

- Ele tem muita noção de espaço e tempo. Prepara o golpe e espera você entrar na posição que ele deseja. A partir daí, pode ter certeza de que vai derrubá-lo. Ele é daqueles lutadores com um estilo quase
imbatível - afirmou.

Praticante de tiro, Mamede até brincou em certos momentos da entrevista.

- Agora, posso explicar porque não fui para Pequim. Perdi para o melhor do mundo. E Tenório merece, pois é uma pessoa tranqüila e inteligente.

Antônio Tenório é um exemplo para 24,5 milhões de brasileiros com deficiência.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

TV BRASIL E LANCE! NA COBERTURA DOS JOGOS



O comentarista Paulo Vitor Ferreira está feliz da vida ao lado das apresentadoras e beldades paraolímpicas Letícia Sarandy (esquerda) e Luciana Baptista (direita)

A TV BRASIL ESTÁ FAZENDO UMA BELA COBERTURA DOS JOGOS PARAOLÍMPICOS. ASSISTA AOS BOLETINS DIÁRIOS, ÀS 18H E 00H10, E AO ESPORTVISÃO, DOMINGO, DE 21H ÀS 22H30. ALÉM DISSO, LEIA A COLUNA 'ESPÍRITO PARAOLÍMPICO', NO DIÁRIO LANCE!

BOCHA!

O Brasil estreou na bocha em Jogos Paraolímpicos de maneira brilhante. Dirceu Pinto venceu Yuk Wing Leung por 3 a 1 e conquistou a medalha de ouro na categoria BC-4. Derrotado pelo compatriota na semifinal, Eliseu Santos completou o pódio ao triunfar sobre o espanhol Jose Maria Dueso por 7 a 1.

O CEGO MAIS RÁPIDO DO MUNDO!

No atletismo, o destaque do dia foi Lucas Prado. Ele venceu os 100m rasos (classe T11) com o tempo de 11s03, batendo o seu próprio recorde mundial, que era de 11s19. Na mesma prova, mas no feminino, Terezinha Guilhermino e Ádria dos Santos ficaram com a prata e o bronze, respectivamente.

sábado, 6 de setembro de 2008

Alegria e reconhecimento



Foto de Maurício Pinheiro/CPB

Foi um espetáculo. O Brasil, a quarta maior delegação dos Jogos Paraolímpicos, deu um show de alegria. Os 188 atletas da delegação desfilaram na abertura da Paraolimpíada, neste sábado, no Estádio Ninho de Pássaro, palco de tantos recordes e heróis.

À frente de todos os atletas estava o judoca da classe B1 (cego total), Antônio Tenório. Nada mais justo para quem é tricampeão paraolímpico. O atleta , da categoria até 100kg, foi o escolhido para levar a bandeira brasileira. Essa é a quarta participação de Tenório em Paraolimpíadas.

"É uma emoção indescritível. Pequim abriu com chave de ouro. Minhas sensações aqui foram muito melhores do que em Atenas. Os chineses estão de parabéns", contou o nosso supercampeão.

O clima de descontração marcou o desfile dos brasileiros, que se divertiram muito durante todo o evento.

Confira a programação do primeiro dia de competições

Horários e locais de Pequim (de acordo com o Comitê Paraolímpico Brasileiro)

Natação

Local: Cubo Dágua
Horário: 9h às 11h (qualificatórias) / 17h às 21h (finais)
Prova: 200m livre masculino
Classe: S2
Atletas: Adriano Lima e Gabriel Feiten
Prova: 100m livre masculino
Classe: S3
Atleta: Genezi Andrade
Prova: 100m livre feminino
Classe: S4
Atleta: Edênia Garcia
Prova:100m livre masculino
Classe: S5
Atletas: Daniel Dias e Clodoaldo Silva
Prova: 200m medley masculino
Classe: SM7
Atleta: Gledson Soares
Prova: 100m borboleta feminino
Classe: S8
Atleta: Valéria Lira

Ciclismo Pista

Local: Laoshan Velodrome
Horário: 13h30 às 14h55
Prova: 1 km time trial (final)
Classe: LC3/LC4
Atleta: Flavianio de Carvalho

Judô

Local: Beijing Workers' Gymnasium
Horário: 12 às 15h30 (qualificatórias) / 17h às 19h30 (finais)
Atleta: Carla Cardoso (48kg)
Atleta: Michelle Ferreira (52 kg)
Atleta: Helder Araujo (60 kg)
Atleta: Eduardo Amaral (66kg)

Futebol de 5

Local: Beijing Olympic Green Hockey Stadium
Horário: 13h às 14h
Jogo: Brasil x Coréia

Goalball Masculino

Local: Beijing Institute of Technology Gymnasium
Horário: 10h às 10h45
Jogo: Brasil x Suécia

Goalball Feminino
Local: Beijing Institute of Technology Gymnasium
Horário: 11h às 11h45
Jogo: Brasil x China

Basquete Masculino

Local: Beijing Science and Technology University & National Indoor Stadium
Horário: 16h15 às 18h
Jogo: Brasil x Austrália

Basquete Feminino

Local: Beijing Science and Technology University & National Indoor Stadium
Horário: 15h30 às 17h15
Jogo: Brasil x Alemanha

Vôlei sentado
Local: China Agricultural University
Horário: 19h30 às 21h
Jogo: Brasil x Egito

Bocha

Local: Fencing Hall of National Convention Center
Horário: 17h30
Prova: Individual Misto (eliminatórias)
Classe: BC4
Atleta: Dirceu Pinto x Hungria
Atleta: Eliseu Santos x China
Horário: 19h45
Prova: Individual Misto (eliminatórias)
Classe: BC4
Atleta: Dirceu Pinto x Portugal
Horário: 21h
Prova: Individual Misto (eliminatórias)
Atleta: Eliseu Santos x Espanha

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

VIVA PEQUIM-2008!

A cerimônia de abertura dos Jogos Paraolímpicos promete emocionar o mais cerebral dos homens! Serão 147 países representados por verdadeiros Hefestos, guerreiros com deficiências. O Brasil terá 188 batalhadores. Deficiências que não conseguem apagar o brilho eterno de grandes seres humanos.

EMOÇÃO E FELICIDADE

Os Jogos Paraolímpicos começam neste sábado, às 9h (horário de Brasília). Estou muito emocionado porque sinto que o trabalho árduo começa a gerar frutos. A TV Brasil e o SporTV farão excelentes coberturas do evento. O Diário Lance! também demonstra muito interesse. Espero que a mídia continue dando grande valor ao esporte para pessoas com deficiência e ao movimento pela acessibilidade.

Um grande abraço.

Paulo Vitor Ferreira

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Dupla do barulho

A história dos Jogos Paraolímpicos foi manchada com uma arbitrariedade. Clodoaldo terá de ser reavaliado. Caso nosso campeão seja obrigado a competir na classe S5 (swimming 5), o Brasil perde a oportunidade de conquistar mais medalhas de ouro, pois Daniel Dias seria adversário do Tubarão das piscinas. Isso sem falar que Clodoaldo encontraria adversários bem difíceis como o espanhol Sebastian Rodriguez e o inglês Antony Stephens. Mas um guerreiro do Rio Grande do Norte não foge à luta. Estamos torcendo por novas medalhas de Clodoaldo e de Daniel. Será a melhor dobradinha de todos os tempos.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

UM CAMPEÃO MERECE RESPEITO!

É angustiante notar o abalo emocional do supercampeão Clodoaldo Silva (S4). Ele está sendo vítima de um protesto infundado. O Comitê Paraolímpico Internacional deveria rever sua decisão de aceitá-lo. Então, a delegação brasileira deve denunciar, por exemplo, as seleções de Futebol de Sete da Rússia e da Ucrânia (casos gritantes de erro de classificação). Seus jogadores não aparentam muitas seqüelas (comprometimentos físicos) de paralisia cerebral. Parece que ucranianos e russos são todos da classe menos comprometida e a regra deve ser cumprida: apenas dois atletas com menor grau de deficiência (FT-8/C8) devem atuar entre os titulares. É apenas um exemplo de vários. Podemos citar ainda algumas seleções de Futebol de Cinco que possuem atletas de linha suspeitos. Estes enxergariam mesmo.

A classificação funcional sempre foi polêmica, mas alguns casos de tentativa de reclassificação beiram o absurdo. Nosso grande atleta da S10 (menor comprometimento físico na natação) Andre Brasil ficou sem competir por sete meses por causa de erros grosseiros de reavaliação médica.

DIA D - Clodoaldo Silva solicitou a mudança de data da reavaliação funcional para o dia 4 de setembro, às 10h (horário de Pequim). Essa é a última chance do brasileiro de disputar a Paraolimpíada, já que o período oficial para a realização dos testes se encerram nessa quinta-feira.

Chega a ser sufocante observar o semblante de tristeza do nadador que conquistou seis medalhas de ouro e uma prata.

“As pessoas devem estar se perguntando em casa o motivo para o Clodoaldo Silva não pretender fazer a avaliação. Será que é porque ele vai subir de classe, não vai mais ganhar medalha de ouro? Não é nada disso. Eu me recuso a fazer porque eu já fiz quatro avaliações e não preciso mais de nenhuma para nadar no esporte paraolímpico”, disse o nadador.

Clodoaldo afirmou que vai se apresentar ao IPC no dia 4 de setembro, mas ainda não sabe se vai se submeter aos testes.

“Adiei a reavaliação por causa dos amigos. Os atletas são as únicas pessoas que me fazem ficar aqui, caso contrário, já teria jogado tudo para o alto. Não é por causa das medalhas, mas por causa do exemplo que sou para outros atletas que estão aqui. Caso tenha de bater a cabeça na borda para conseguir um bom resultado para o Brasil, vou fazer”, disse o atleta, emocionado.

Entenda o caso - No final de junho, Clodoaldo foi notificado através do CPB que o IPC recebeu e aceitou um protesto para que fosse reavaliado com relação a sua classificação funcional. O país que fez o protesto não foi divulgado pelo IPC.

O IPC fez um comunicado oficial ao Comitê Paraolímpico Brasileiro, que repassou a informação ao atleta. Clodoaldo Silva tinha, segundo o ofício enviado ao Brasil, duas opções para passar pela junta de reavaliação: uma competição aberta no Canadá, a Can-Am Disability Championship, ou o período oficial de classificações funcionais em Pequim, de 1º a 4 de setembro.


Histórico - Em dezembro de 2006, em Durban, na África do Sul, Clodoaldo teve sua classe funcional protestada pela equipe espanhola durante o Mundial de Natação Paraolímpica e passou da categoria S4 para a S5. O Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB) entrou com um recurso, alegando erro de procedimento. O IPC anulou a decisão e Clodoaldo voltou para a categoria S4 em abril de 2007.

Após o Mundial na África, a única competição que Clodoaldo disputou foi o Parapan do Rio de Janeiro em 2007, já na categoria S4, conquistando sete medalhas de ouro.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

O garoto de ouro e o cubo d'água




Daniel Dias, classe S5 (má formação congênita), fez na terça-feira o primeiro treino no Cubo D’água, local oficial das competições de natação em Pequim. Recordista mundial das provas dos 100m e 200m livre, 100m costas e 200m medley, elogiou as instalações e se surpreendeu com o tamanho do parque aquático.

“Assisti a todas as provas durante a Olimpíada e ficava me imaginando aqui. Quando entrei, passou um filme na minha cabeça. Não consigo nem dizer o que estou sentindo. Quando via na televisão achava gigantesca. Quando entrei, não me impressionei tanto. Só a piscina que não mudou de tamanho, continua com 50m”, brincou o atleta de 20 anos.

Daniel nada a primeira prova, os 100m livre, no dia 7.

“É a minha primeira prova. Sou recordista mundial nela. Então fico ansioso pra cair logo na piscina e representar bem o Brasil”, disse Daniel.


Perfil

Nome: Daniel de Faria Dias

Data de nascimento: 24/05/1988

Deficiência: má formação congênita dos membros superiores e perna direita

Classe: S5

Clube: Ciedef-SP

Técnico: Marcos Rojo

FOTO DE SAULO CRUZ
COLABOROU O CPB

HOMENAGEM MERECIDA



Tenório prepara-se para a batalha de Pequim
Foto de Pedro Rezende/CPB

O judoca Antônio Tenório vai desfilar à frente da delegação brasileira na abertura da Paraolimpíada de Pequim, no dia 6 de setembro. O atleta foi escolhido pelo Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB) como o porta-bandeira do país.

Classe B1, cego total, Tenório é tricampeão paraolimpíco na categoria até 100kg.

“O sonho vai ser maior ainda quando ouvir o meu nome sendo chamado", afirma o lutador que estará no tatame no dia 9 de setembro.