quarta-feira, 11 de junho de 2008

Vitória sobre a deficiência

Os novos produtos adaptados dão autonomia a quem não abre mão de uma vida “normal”

Fonte: Site da Revista Época (http://www.epoca.com.br) - 30/05/2008 -15h

Paulo Araújo
Para quem tem alguma deficiência física, calçadas irregulares, trânsito e até livros e ondas do mar podem se tornar obstáculos. Mas novos produtos e aparelhos permitem ao portador de deficiência exercer atividades antes impossíveis. Trata-se, também, de um bom negócio. Segundo Ricardo Rosso, organizador da maior feira do gênero no país, esse setor movimenta R$ 1,2 bilhão por ano. “O poder de consumo desse segmento é altíssimo e a tecnologia só evolui”, diz. Para o paulista Alcino Neto, o Pirata, campeão mundial e professor de surfe adaptado (foto), os equipamentos garantem uma vida normal. “O importante é não ficar parado achando que a vida acabou.”

No Brasil, já é possível encontrar mais de 600 produtos para facilitar a vida das pessoas com deficiência, divididos em motores, visuais e auditivos. “Eles funcionam como ferramentas de inclusão e garantem a entrada ou o retorno ao convívio social e ao trabalho”, explica a fisiatra Rosane Chamlian, da Universidade Federal de São Paulo. Os equipamentos mais vendidos ainda são as cadeiras de rodas, próteses para membros amputados e os automóveis com acessórios adaptados, como câmbios e bancos mais fáceis de manusear com o corpo. Em 2007, foram vendidos 20 mil veículos adaptados, até 28% mais baratos que os convencionais devido à isenção de impostos, segundo levantamento da revista especializada Reação. Há também utensílios práticos para a vida doméstica, como colocador de linha na agulha, bola com guizos, relógio com mostrador em braille e até DVD com piadas para surdos.

O mercado está aquecido por conta da legislação que garante os direitos das pessoas com deficiência, como o decreto que obriga empresas com cem ou mais funcionários a ocupar até 5% das vagas com pessoas que tenham esse perfil. Aguarda aprovação no Senado a Convenção Internacional sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência das Nações Unidas. Segundo a Organização Mundial de Saúde, há 24 milhões de brasileiros com alguma deficiência. Além de boas intenções, as empresas precisarão se munir de materiais diferentes, como lupas, dicionários, lápis e outros objetos especiais. No ano passado, das 20 mil pessoas deficientes cadastradas no Sistema Nacional de Trabalho e Emprego, do Ministério do Trabalho, 6 mil conseguiram uma colocação e fazem uso desses produtos. “Ainda é muito pouco, mas há 20 anos esse número era bem perto de zero”, diz Izabel Maior, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República.

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