terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Coragem e superação no Prêmio BRASIL OLÍMPICO 2007

Paulo Vitor Ferreira

O nadador Daniel Dias e a remadora Cláudia dos Santos brilharam no Prêmio Brasil Olímpico, na segunda-feira à noite, no 'Theatro Municipal', no Rio. Eles foram escolhidos os melhores atletas paraolímpicos do ano. Daniel conquistou oito medalhas de ouro nos Jogos Parapan-Americanos do Rio e conseguiu o primeiro lugar do ranking do Circuito Brasil CAIXA. Cláudia alcançou uma marca histórica no esporte do país: a primeira medalha de ouro do remo em um Mundial. A atleta venceu a principal competição do Remo Adaptável em Munique, na Alemanha.

Portador de má formação congênita, Daniel mostrou toda a sua simpatia e alegria ao falar sobre seus feitos. “Quando levei meu primeiro ouro no Parapan, não esperava esse sucesso todo. Foi o melhor ano da minha vida”, disse o nadador da categoria S5, de apenas 19 anos, com apenas três de natação.

Ele falou também da cobrança que terá de conviver no período dos Jogos de Pequim-2008. “Não sei se vou repetir o sucesso do Parapan. Tenho de treinar muito para não ser superado pelos meus concorrentes espanhóis, como Sebastian Rodrigues”, afirmou o garoto de Bragança Paulista, que superou esse nadador ao levar o ouro e bater o recorde mundial nos 200m medley no Meeting Internacional, realizado no dia 15 no Parque Aquático Maria Lenk, também no Rio.

A mulher-coragem
Muito aplaudida pelos jornalistas na área de imprensa do 'Theatro Municipal', a remadora Cláudia dos Santos preferiu citar a frase de um grande amigo. “Um pouco de coragem substitui um monte de sorte.” Sábias palavras da atleta que perdeu a perna direita após ser atropelada em 2000 e ficar quase um ano sem andar.

Cláudia é outro exemplo impressionante de superação. Ela fazia natação (aliás, ainda participa do Circuito Brasileiro nessa modalidade) e só começou a competir no remo há dez meses, mas já é a melhor do mundo na modalidade skiff simples. “Confesso que fiquei muito emocionada e chorei ao receber a notícia de que tinha conquistado o Prêmio Brasil Olímpico. Eu não esperava. Tudo está acontecendo muito rápido na minha vida. O ano fechou com mais um ouro para mim”, comemorou Cláudia.

O 'Theatro Municipal' foi palco de um espetáculo que mostrou-se tão emocionante quanto uma ópera ou um concerto das ‘Bachianas Brasileiras Nº 5’, de Heitor Villa-Lobos.

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