segunda-feira, 5 de novembro de 2007

NATAÇÃO & Cia

ENTREVISTA COM GABRIELA CANTAGALLO
Continuando a série de reportagens sobre a renovação da natação paraolímpica brasileira, a entrevistada de hoje é a nadadora Gabriela Cantagalo, de apenas 15 anos. Ela, Ana Clara Cruz e Valéria Lira são as estrelas da nova geração da modalidade. Portadora de má formação congênita, Cantagallo brilha na categoria S9 e mostrou grandes resultados no Circuito Brasileiro.


Paulo Vitor - Como foi na última etapa do Circuito Brasileiro?
Gabriela Cantagallo - Eu só não fui muito bem na prova dos 100m costas. Na minha categoria, a S9, conquistei a medalha de ouro nos 100m peito, 100m livre e 50m livre e baixei os meus tempos dos Jogos Parapan-Americanos do Rio.

PV - Como foi no Parapan?
GC - Por ser a minha primeira competição internacional, acho que fui bem sim. A minha melhor prova foi os 100m peito. Fiquei em quarto lugar.

PV - O que acha do futuro da natação feminina? Você, a Ana Clara Cruz e a Valéria Lira são muito novas! A Ana é um pouquinho mais velha, com 16 anos.
GC - Acho que, em um futuro bem próximo, estaremos com uma equipe mais forte.

PV - Você e a Valéria Lira têm 15 anos? Iniciaram a carreira muito cedo.

GC - Com 5 aninhos, já freqüentava a academia. Depois, comecei a nadar em Guarulhos em um centro esportivo. Esperei um tempinho e passei pra turma de treinamento. Aí, a minha tecnica Elizabete Pinto Barbosa começou a levar-me para as competições. Eu competia em torneios com nadadores sem deficiência. Iniciei no esporte paraolímpico no Circuito Regional de São Paulo.

PV - Começou com quantos anos?

GC - Há três anos, com 12.

PV - Você foi orientada a nadar? Seus pais te ajudaram?
GC - Meus pais foram muito bons. Eles me apoiaram em tudo. Meu pai é João Cantagallo. Minha mae é Claudia de Souza

PV - Está estudando? Pretende fazer faculdade?
GC - Estou no primeiro ano do segundo grau. Quero fazer Educação Física.

CAMPEONATO BRASILEIRO DE BASQUETE SOBRE CADEIRA DE RODAS COMEÇA NO DIA 20

O Nacional de Basquete em Cadeira de Rodas será disputado entre os dias 20 e 26 de novembro, na Andef, em Niterói. O Grêmio Águias é o atual tricampeão brasileiro. E também é ainda pentacampeão paulista. Neste sábado, o clube venceu o CAD por 59 a 44, na última rodada do returno do Campeonato Paulista, que voltará a ser realizado após o término do Nacional para a disputa da fase final.


PEQUENA GRANDE CAMPEÃ
Ana Clara Cruz. Grave esse nome. Com apenas 16 anos, completados nesta sexta-feira (dia 2), é um dos promissores nomes da natação brasileira. Ela estava na equipe que conquistou a medalha de bronze no revezamento 4 x 100m livre no Parapan. Ainda foi um dos destaques do Circuito Brasil Paraolímpico. Ana Clara também fez parte da 'seleção' que levou o bronze no revezamento 4x50m livre no Mundial de 2006, na África do Sul.

Ana estreou em competições logo aos nove anos. Portadora de má formação congênita, começou a nadar para recuperar os movimentos da perna esquerda. Além de seus pais, Antônio Elias e Miriam, a hidroterapeuta Rita foi a grande incentivadora de sua carreira na modalidade. Depois de algumas aulas, Aninha (como é conhecida entre os colegas) iniciou os treinamentos no Clube dos Paraplégicos de São Paulo. As vitórias não demoraram a aparecer. Ela ainda não foi a uma Paraolimpíada, mas espera realizar esse sonho em breve.

"Esse é o meu maior sonho no esporte. Espero ter índice para os Jogos Paraolímpicos de Pequim (China) no ano que vem. Quero beliscar um bronze. Tenho muitas concorrentes fortes na minha categoria (S6), mas vou lutar por uma medalha. Se bobear até de ouro", disse Ana Clara Cruz, que também tem outras boas características, como o bom humor, a simpatia e o belo sorriso.

MOLECADA DE FUTURO
Uma geração de ouro. Esta é a expectativa para a nova safra de nadadores brasileiros. E o sucesso deve aparecer não só nas Paraolimpíadas de Pequim no ano que vem, mas também em Londres-2012. Se tudo correr bem, o Brasil colherá mais frutos logo, logo. Clodoaldo Silva, Glédson Soares e Fabiana Sugimori ainda são os ícones do esporte, mas já têm substitutos à altura, como Daniel Dias (primeiro do ranking brasileiro), André Brasil, Ana Cruz, Murilo, Alexandre, Valéria Lira e Gabriela Cantagallo.

O coordenador da modalidade do Comitê Paraolímpico Brasileiro, Gustavo Abrantes, mostrou toda a sua esperança em um futuro promissor. "A base da natação é muito boa. Se conseguirmos manter esse ritmo, vamos brilhar em várias Paraolimpíadas, inclusive nesta próxima, que será na China", disse Gustavo.

Ele destacou que o Campeonato Brasileiro Escolar ajudou muito na descoberta de outros novos valores. "Como não podemos mandar atletas com menos de 14 anos para torneios internacionais ou do próprio Circuito Brasil Paraolímpico, essa competição serve para observar muitos outros de uma faixa etária", afirmou.

Os atletas que estão aparecendo no país são muito novos. Valéria Lira e Gabriela Cantagallo possuem apenas 15 anos. Ana Cruz completa 16 nesta sexta-feira. Daniel Dias é o primeiro do ranking Brasil Paraolímpico, com apenas 19. Ele começou a nadar há dois anos apenas. Edênia Garcia, a mais experiente dessa geração (com uma medalha de prata em Atenas-2004), tem 20.

ATLETAS COM E SEM DEFICIÊNCIA DISPUTAM TORNEIO DE REMO
Na regata para pessoas com deficiência no Estádio de Remo da Lagoa, realizada no último domingo pela manhã, dia 28, a vitória foi de Isac Ribeiro, da Urece. Luciano Pires disputou o 8 Com pelo Botafogo, com outros sete alunos da escolinha deste clube. Eles terminaram em quinto lugar. Foi a primeira vez que pessoas com e sem deficiência disputaram juntas um torneio da modalidade no Rio de Janeiro.

Jornalista com deficiência visual é o entrevistado em programa da TVE

O vice-presidente da Urece, Marcos Lima, será entrevistado na próxima terça-feira, dia 30, no Programa Especial, da TVE. Em conversa com a jornalista Juliana Oliveira, Marcos fala sobre a Urece, o sonho de um grupo de esportistas que vem se concretizando a cada dia.
O programa vai ao ar às 12h e 19h. A reprise será às 12h de sábado, 3 de novembro.
Programa Especial, entrevista com Marcos LimaTVE BrasilTerça-feira, dia 30 de outubro12h e 19 h

BRASILEIROS NO CAMPEONATO DE TIRO
Nesta terça-feira, a equipe brasileira disputa as provas de pistola esporte e carabina em três posições no Campeonato de Tiro Esportivo, em Sydney, na Austrália. Sergio Vida e Carlos Garletti competiram na última segunda-feira, 29, e se classificaram para as finais. Na pistola livre, Sergio Vida terminou em oitavo lugar. Já Carlos Garletti ficou com o nono lugar na carabina em pé.

"A competição é uma oportunidade para os atletas conseguirem o índice para uma participação inédita do tiro esportivo brasileiro em Paraolimpíada", afirmou o técnico da delegação, Coronel Lima e Silva.

ATLETAS COM E SEM DEFICIÊNCIA COMPETEM JUNTOS NO REMO

Neste domingo, 28 de outubro, a raia de Remo da Lagoa Rodrigo de Freitas vai ser o palco de um evento histórico. Durante o 20º Festival de Remo do Futuro, torneio que reúne todos os clubes da cidade do Rio de Janeiro, atletas com deficiência competirão pela primeira vez com remadores que não possuem deficiência.

O destaque fica por conta da categoria Canoe Adaptado, em que participam atletas com limitações nos movimentos dos membros inferiores. São remadores das categorias "Braço" e "Tronco e Braço". Eles reeditam, nas águas da Lagoa, uma rivalidade quase centenária nos gramados cariocas. Competem nesta categoria deficientes físicos de Flamengo e do Botafogo (onde acontece o projeto da Urece em parceria com o clube e com a Prefeitura do Rio).

Além dessa competição especial, atletas com deficiência visual remarão junto e contra remadores sem deficiência. Isso acontece nas provas Yole a (8 remadores) e Double Skiff. Os atletas cegos Raimundo Assunção e Luciano Pires lutarão por medalhas nestas duas provas.


Uma vitória para as Pessoas com Necessidades Especiais
Instrutor de remo da Urece e criador do projeto do remo adaptado no Rio de Janeiro, Rafael Ceccon afirmou que o próprio fato de competirem já é uma vitória, 'não porque são deficientes, mas porque são remadores muito bons e que têm condições de competir em igualdade com remadores sem deficiência.'
Muito empolgado com a iniciativa, Rafael, que desenvolve o remo adaptado há quatro anos, completa:
"Quem diria que um atleta cego poderia competir com outros de visão normal? E dois então! Isso é uma quebra de paradigma que só o remo pode proporcionar".


Festival de Remo do Futuro
Domingo, dia 28 de outubro de 2007
Estádio de Remo da Lagoa

A partir das 9 h (da manhã)

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