quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Entrevista com o presidente do CPB e outras notícias

Entrevista com o presidente do CPB
Em entrevista ao blog, o presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB), Vital Severino Neto, 56 anos, falou dos resultados no Parapan e dos Jogos Mundiais de Vela Paraolímpica (Nova York, Estados Unidos), de Cadeirantes e Amputados (Taipé, Taiwan) e de Remo Adaptável (Munique, Alemanha).

Paulo Vitor - Quando você começou na luta pelas Pessoas com Necessidades Especiais?

Vital Severino Neto – Comecei em um grupo de deficientes visuais em Uberlância em 1984. Um ano depois, tornei-me presidente da Associação Brasileira de Desportos para Cegos, atualmente Confederação Brasileira de Desportos para Cegos (CBDC). Em 1996, acumulei as funções de Secretário Executivo do Comitê Paraolímpico Brasileiro e presidente da CBDC. Em abril de 2001, fui eleito presidente do CPB. Quatro anos depois, fui reeleito.

PV – Faça um balanço da participação brasileira nas últimas competições paraolímpicas.

VSN – Na Vela Paraolímpica, conseguimos a classificação para a Paraolimpíada de Pequim-2008, com um barco de três tripulantes. Ficamos em 12º lugar, na frente de países tradicionais como Itália e Áustria, classificando-nos na categoria Sonar. No Remo Adaptado, o resultado foi maravilhoso. Foi a primeira grande experiência internacional da modalidade e levamos dois ouros no skiff feminino simples e no skiff duplo misto, além da classificação para o quatro com timoneiro. Porém, o mérito é todo da CBR (Confederação Brasileira de Remo).

PV – E quanto às participações no Parapan e no Mundial de Amputados?

VSN – Os atletas representaram de maneira brilhante o Brasil no Parapan, realizado no Rio. Fomos os campeões, vencendo países como o Canadá, o México e os Estados Unidos. Terminamos a competição com quase 30 medalhas na frente do Canadá! Tivemos um desempenho excelente também nos Jogos Mundiais de Taiwan (Cadeirantes e Amputados). Levamos dez de ouro, nove de prata e cinco de bronze. Isso é o reflexo de um trabalho que vem sendo desenvolvido há alguns anos. Esses resultados aconteceram graças a alguns fatores: qualidade técnica dos atletas de alto rendimento, programação bem feita e calendário muito organizado.

PV – Qual a importância do Parapan?
VSN – Os Jogos Parapan-americanos mostraram à sociedade brasileira que os deficientes precisam ser vistos como verdadeiros atletas, que representam seu país em competições que exigem resultados e altos rendimentos. A sociedade precisa entender que o esporte paraolímpico é de performance. Ainda temos muito o que fazer. O dever não foi cumprido, pois esse dever não termina nunca.

PV – O Brasil é uma potência paraolímpica?
VSN – Eu diria que o Brasil é uma potência emergente. Vem crescendo de importância no cenário mundial. Já estamos entre os 15 países com mais conquistas nos esportes paraolímpicos. Porém, não podemos nos acomodar, pois, se o Brasil está se aperfeiçoando, os outros países também estão.

Paulo Vitor - Qual foi o legado deixado pelo Parapan Rio-2007?

Vital Severino Neto - Considero que a divulgação ajudou a conscientizar a população brasileira para a superação das pessoas com deficiência. A sociedade passou a prestar mais atenção em nossos atletas. As pessoas viram que o esporte paraolímpico também necessita de dedicação e esforço, pois depende de performance e resultado.

PV - O Parapan teve outros fatores positivos?
VSN - Sim. Vários. A repercussão internacional e a competência técnica organizacional foram fatores de destaque nessa competição.

PV - Qual a sua opinião sobre parcerias como a da Light com a Andef (instituição do município de Niterói)? A empresa de energia vai patrocinar os atletas do clube até o final da Paraolimpíada de Pequim-2008.

VSN - Esse é o caminho. Os clubes (ou instituições) devem ter a iniciativa de procurar parcerias. Desta maneira, o esporte paraolímpico terá mais empresas apoiando e colaborando para o seu crescimento. O clube tem de fazer isso. Nosso papel (o do Comitê Paraolímpico Brasileiro) é de representação.

PV - A iniciativa privada deve apoiar o paradesporto?

VSN - Sim. As empresas precisam ter a consciência de que o esporte paraolímpico é altamente vendável. Quando a iniciativa privada compreender isso, ela vai saber dos lucros que podem ser gerados. A mídia vai dar mais importância e valor.

Triatleta supera possíveis dificuldades

Santos, SP - Um momento de superação marcou a 5ª etapa do 17º Troféu Brasil de Triathlon, no último domingo, vencida por Fabio Carvalho e Carla Moreno: a estréia da pernambucana Marleide Maria da Silva, primeira deficiente visual a disputar a prova. Ela perdeu a visão há dois anos e meio, vítima de retinose pigmentar, doença degenerativa (ainda sem cura) e fez a prova com o auxílio de três guias, um para cada modalidade.

“Foi uma experiência maravilhosa. Pensei que seria mais difícil. Fiquei preocupada com a natação, porque a guia tem de falar muito, mas tive o apoio do rapaz do caiaque e nadamos bem. Foi excelente, principalmente na corrida, que é um relaxamento”, disse Marleide, que começou a nadar há apenas dois anos. A atleta pretende disputar outras provas de triathlon.

Ela elogiou muito o apoio dos três guias. “Eles são os meus olhos”, afirmou Marleide, que sempre gostou de praticar esportes. Na adolescência, jogava futebol.

Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência
Na sexta-feira passada foi comemorado o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. Para comemorar esta importante data, o JORNAL DOS SPORTS entrevistou um dos destaques do Campeonato Mundial de Cadeirantes e Amputados, realizado entre os dias 12 e 19 de setembro em Taiwan, o velocista Yohansson Ferreira.
“O esporte é uma das ferramentas para a inclusão das Pessoas com Necessidades Especiais. Ele é importante, mas não o único caminho. Qualquer atividade cultural colabora imensamente para isso”, disse o campeão Yohansson Ferreira, que conquistou duas medalhas de ouro (100m e 200m) e uma de prata no Mundial.
O atleta de apenas 19 anos e natural de Maceió, Alagoas, ainda levou três ouros no Parapan-Americano, no Rio de Janeiro.
Yohansson é um fenômeno, pois começou a correr há apenas dois anos e meio. “Espero outros grandes resultados no Circuito de Atletismo e Natação, entre os dias 5 e 7 de outubro, em São Paulo, e na Paraolimpíada-2008, Pequim”, afirmou.
Andrew Parsons, chefe da delegação em Taiwan e secretário geral do Comitê Paraolímpico Brasileiro, falou sobre o exemplo que esses atletas estão dando à sociedade.
“Eles mostram a sua superação não apenas por causa da deficiência, mas por causa da juventude. É um bom prenúncio para o esporte”, verbalizou.

Clodoaldo faz história (de novo)

O nadador Clodoaldo Silva, maior nome do esporte paraolímpico brasileiro, foi nomeado na última sexta-feira presidente do conselho do Desporto Paraolímpico da Soberana Ordem do Mérito Empreendedor Juscelino Kubitschek, “Ordem JK”, a mais alta condecoração brasileira.
A partir de agora, Clodoaldo terá a função de avaliar e indicar nomes de atletas paraolímpicos para receber o título de comendador da “Ordem JK”.
No ano passado, Clodoaldo Silva recebeu a medalha Cruz do Mérito do Empreendedor Juscelino Kubitschek, conhecida como a “Jóia de JK”, e tornou-se o primeiro paraolímpico condecorado com essa comenda.
Entre os esportistas já homenageados estão o piloto Emerson Fittipaldi, o boxeador Popó, o tenista Gustavo Kuerten, a ex-jogadora de basquete Hortência e o jogador de futebol Cafu, ex- lateral-direito da Seleção.
O evento faz parte das comemorações dos 105 anos do nascimento de Juscelino Kubitschek.
Na ocasião também será lançado um selo comemorativo aos cinco anos da “Ordem JK” e serão prestadas homenagens às personalidades do ano e destaques dos Jogos Pan-Americanos e Parapan-Americanos do Rio de Janeiro.
A celebração será na cidade de Búzios, no Rio de Janeiro.

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